Cultura

Festin, um festival de cinema diferente
13 de março de 2017 - 12h27
A semana passada, os cinéfilos de Lisboa assistiram ao encerramento da oitava edição do Festin – o Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa.

 Desde os irmãos Lumière, pioneiros do cinema,  aos dias de hoje, a "sétima arte" continua a atrair multidões, seja em modernas salas de exibição, seja no conforto das residências ou apresentado no tablete do cidadão que nele se refugia para espantar o stress dos transportes públicos.

A semana passada, os cinéfilos de Lisboa assistiram ao encerramento da oitava edição do Festin – o Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa. Um público entusiasta participou da cerimônia de entrega dos prêmios que distinguiram filmes, documentários, diretores, atores.

Durante sete dias consecutivos, o cinema São Jorge, um ícone da capital portuguesa, acolheu a exibição de longas e curtas-metragens, documentários, cinema para público adulto e para públicos de todas as idades, acompanhados por debates que questionaram, sobretudo, o presente e o futuro dessa grande indústria de entretenimento, vitrine de culturas, que é o cinema. O bom ou o mau cinema.

A quase totalidade dos filmes levados à edição 2017 do Festin tinham por denominador comum a língua portuguesa. Essa foi e ainda é a ideia original de duas jornalistas brasileiras, Léa Teixeira, brasiliense, e Adriana Niemeyer, paulista, apaixonadas por cinema e  ambas radicadas em Portugal. Da ideia à concretização do primeiro Festin foi o tempo de construção de um projeto que vingou e cresceu.

Mas, como acontece frequentemente, as iniciativas culturais não são fáceis e quando se trata de colocar em pé um festival de cinema com as características do Festin - dadas as diferenças entre as indústrias de cinemas nos países lusófonos, desde aqueles em que ela é incipiente ou mesmo inexistente, aos que já têm um percurso relativamente consolidado na sétima arte -, elas são ainda mais difíceis. Os entraves financeiros não são os únicos, mas são certamente os que podem comprometer ou mesmo inviabilizar a sua realização. Isso mesmo foi dito na sessão de abertura do 8º Festin.

As crises econômicas e políticas que atingiram e ainda se fazem sentir nos países lusófonos constituem sérios entraves ao desenvolvimento de projetos como o do Festin e a proliferação de festivais também não ajuda.

"Há um excesso de festivais, cada um quer mostrar o seu cinema e o público que frequenta festivais é restrito", admite Adriana Niemeyer em entrevista ao Portugal Digital/África 21 Digital, jornais online parceiros do Festin. "Há uma briga pelo público", diz. "Hoje, o festival, na sua oitava edição, já é conhecido e falado nos países de língua portuguesa", enfatiza a diretora artística do Festin, que, juntamente com a diretora-geral, Léa Teixeira, levam por diante, ano após ano, a missão de mostrar o que de mais relevante se faz no mundo do cinema nos países lusófonos.

"Hoje, os cineastas portugueses começam a perceber que o Festin tem público, tem importância", afirma.

Tal como o nome indica, o Festin não mora apenas em Lisboa. É itinerante. Levar o cinema em português às várias partidas do mundo tem sido uma das missões a que as organizadoras e a sua equipe se impõem. "Acabamos de fechar com o Festival de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e, provavelmente, iremos a Cabo Verde. "Convidaram-nos também para voltarmos a São Tomé e Príncipe", conta Adriana Niemeyer. Fortaleza, no Ceará, e Brasília, estão igualmente em fase de negociação no roteiro do Festin para 2017.

Obter patrocínios e construir parcerias fazem parte das etapas fundamentais à tarefa de transpor o projeto, ano após ano, das telas dos computadores para os écrans do festival. "Captar patrocínios é uma das maiores dificuldades", reconhece Adriana, que lembra a participação decisiva da Câmara (Prefeitura) Municipal de Lisboa na edição do mais recente Festin. Por outro lado, o boom turístico que enche as ruas e praças de Lisboa – mesmo no Inverno - também não facilita a concretização de parcerias, com hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos.  "Agora toda a temporada, inverno ou verão, é época alta", comenta.  Realizar um festival como o Festin tem custos superiores a 50 mil euros", diz.  "E os apoios brasileiros, empresariais e institucionais, estão difíceis de conseguir", comenta.

Adriana Niemeyer reflete que o Festin não deve ser visto apenas como mais um festival de cinema. "É uma rede de divulgação do cinema que se faz nos países que se comunicam em português e também uma rede que vai além do universo lusófono", destaca. O oitavo Festin terminou.  Lea Teixeira e Adriana já pensam como construir o Festin 2018.

Portugal Digital

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