Internacional

Polícia venezuelana dispersa marcha opositora e impede acesso ao Parlamento
04 de abril de 2017 - 19h54
O presidente da Assembleia, Julio Borges, afirmou aos jornalistas que o governo tenta impedir que a maioria dos deputados participe da sessão parlamentar de hoje.

A Guarda Nacional Bolivariana da Venezuela dispersou nesta terça-feira (4) com gás lacrimogêneo e balas de borracha uma manifestação de dezenas de opositores que tentavam marchar rumo ao Parlamento em apoio à destituição dos magistrados do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), segundo constatou a Agência EFE.

Deputados oposicionistas afirmaram inclusive que grupos armados dispararam contra os manifestantes,que se mobilizavam na principal artéria viária de Caracas que leva à Assembleia Nacional, depois que a polícia os desviou da rota original.

O presidente da Assembleia, Julio Borges, afirmou aos jornalistas que o governo tenta impedir que a maioria dos deputados participe da sessão parlamentar de hoje. Borges também acusou o governo do presidente Nicolás Maduro de tentar impedir com "repressão" que a Assembleia Nacional realize a sessão contra os magistrados do TSJ que, segundo ele, deram um "golpe de Estado" ao afastar a Câmara de suas funções em uma sentença da qual depois suprimiram alguns pontos.

Pimenta nos opositores

"Acabam de nos jogar gás de pimenta, estamos saindo agora, mas a ideia é voltar a insistir para passar", ressaltou Borges na Avenida Libertador, em Caracas, palco da manifestação. Segundo a Agência EFE, a Polícia Bolivariana borrifou gás pimenta nos deputados que se encontravam no local, assim como no duas vezes candidato à Presidência da Venezuela, Henrique Capriles, e em outros dirigentes oposicionistas.

O parlamentar Miguel Pizarro lamentou que as autoridades sigam "reprimindo e perseguindo as pessoas" e afirmou que ele e outros deputados tentaram "mediar" e "falar" com os funcionários, mas  a resposta da polícia “foi gás pimenta na cara". Segundo Pizarro, os funcionários dizem que têm "ordens superiores" de não deixar passar ninguém.

Embora as autoridades não tenham deixado os opositores chegar ao centro da cidade, onde se encontra o Palácio Federal Legislativo, estes se espalharam em várias direções e asseguram que buscarão todas as vias para chegar a seu destino.

Na semana passada, o Supremo venezuelano emitiu sentenças nas quais assumia as funções da Assembleia – de maioria oposicionista –, que limitavam a imunidade parlamentar e, além disso, afastavam o ente legislador de suas funções. Embora o Supremo tenha suprimido alguns pontos destas sentenças, a oposição qualificou suas ações de "golpe de Estado" e anunciou que realizaria uma sessão nesta terça-feira para destituir os magistrados que emitiram tais decisões.

Disparos

O deputado Tomás Guanipa, do partido Primeiro Justiça (PJ), e Lilian Tintori, mulher do líder oposicionista preso Leopoldo López, relataram no Twitter que, enquanto caminhavam pelas ruas de Caracas, foram atacados por pessoas armadas.  O prefeito do município de Chacao, Ramón Muchacho, informou que nove pessoas ficaram feridas na manifestação, das quais oito tiveram politraumatismos e uma foi atingida por bala.

O parlamentar José Manuel Olivares, também do PJ, falou igualmente de disparos por parte dos grupos armados, que relacionou com o presidente Nicolás Maduro.

Agência EFE

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